PALAVRA DO AUTOR

Páginas de um livro bom foi surgindo aos poucos, de modo que quando rebentou, no inverno de 2011, já tinha 8 anos.
.
Explico: os primeiros textos foram escritos no longínquo e romântico ano de 2003. Já o mais recente data de 2008. São ao todo 25 trabalhos, entre contos, crônicas e poemas, que atravessam os áureos anos da minha juventude. Páginas de um jovem escritor que não se destinam apenas a jovens leitores. Diria que é um livro para adultos que ainda são capazes de se apaixonar, e para os mais jovens de fato, principalmente para aqueles que veem a juventude “de fora”, como atinados observadores, hábeis em ler a vida enquanto a escrevem. Casos raros.
.
Quando decidi reunir esses textos num livro, minha intenção era não perdê-los de vista com o tempo. Não que falte organização cá em casa, mas porque chega uma hora em que nos esquecemos das coisas, as quais restam moribundas naquele último armário ou entre as tralhas do nosso HD. Antes que algo parecido acontecesse, tratei de criar esta coletânea, dar-lhe nome, cara e ISBN: estava lançado meu primeiro livro, a reunião de versos e prosas de um passado delicioso e, agora, portável, se não no bolso, debaixo do braço. Posso seguir a estrada da vida tranquilo, pois sei que o jovem Pedro virá comigo, disponível em 184 páginas ao alcance da mão.

Ideia de ilustração para "De um lado e do outro",
que traduzi em rabiscos e dividi com a Julia
Era março de 2010 quando decretei: “Farei. E se é para fazer, que saia bem feito. Que seja atraente por completo, de uma orelha à outra”. Decidi também que faria o mundo conhecê-lo. Sempre acreditei que muitos haveriam de se ver em meus protagonistas e eu líricos. Era isso: eu queria guardar meus melhores escritos dentro duma única lombada, para depois espalhá-los aos quatro cantos, com a certeza de que eles pegariam o leitor de jeito. Estamos sempre dispostos a sermos cativados, é ou não é?
.
Desejava, porém, que os textos cativassem o leitor antes mesmo de serem lidos. Queria que as pessoas abrissem o livro como abrem uma janela para o jardim no meio da primavera; que inspirassem o ar fresco, cerrassem os olhos e sorrissem... “É vida o que tem aqui!”. O cenário lhe convida para um passeio e é impossível resistir.
.
Para isso, era preciso contratar uma “jardineira”. A minha chama-se Julia Lourenço Moraes, designer e ilustradora de enorme talento, competência e paixão, que não demorou a sugerir assim que leu o material: “Por que não damos à obra a atmosfera de um caderno de rascunhos? Um sketchbook! São textos de muita sensibilidade, que me remetem a anotações pessoais...” Comprei a ideia no ato.
.
Páginas de um livro bom levou 16 meses, nasceu “posmaturo”, mas veio para ficar. Tornou dois cariocas vintões mais adultos e, ao mesmo tempo, mais crianças. Mais crianças porque o processo de produção foi uma grande brincadeira, um fantástico exercício de criação, que nos permitiu sentir o gosto incomparável (e raro) de fazer aquilo para o que nasceu; e mais adultos porque nos amadureceu profissionalmente, afinal a brincadeira tinha cronograma, orçamento, aprovação e outros prestadores de serviço envolvidos.
.
Tudo o que espero é que este sketchbook o conquiste. Aposto que ele o fará.

Pedro Paulo Lopes